Livro Cotidiano

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Por onde sai (quase) tudo aquilo que comemos?

    Devemos comer vitaminas, vários tipos de minerais (sódio, potássio, fósforo etc.), fibras não digeríveis etc., etc., etc. Mas a maior parte do que ingerimos para conseguir aquelas 2000 a 2500 quilocalorias diárias que precisamos é constituída de alimentos feitos basicamente de misturas (algumas muito gostosas e cheirosas, felizmente) de átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio, com pequenas pitadas de nitrogênio e mais alguma coisinha em quantidade muito pequena. Aquelas 2000 a 2500 kcal que ingerimos todos os dias correspondem quase totalmente a cerca de meio quilograma de átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio. E só de átomos de carbono, ingerimos cerca de 200 gramas. Por onde tudo isso sai?

    A figura mostra uma mesa posta – provavelmente da casa de um químico – com algumas moléculas dos nossos alimentos energéticos. Uma fórmula química bem típica dos alimentos energéticos que ingerimos é [C(H2O)]n. Por exemplo, se n=6, então pode ser uma molécula de glucose ou frutose, C6H12O6. As outras fórmulas químicas dos nossos elementos energéticos também são feitas de átomos de carbono, oxigênio e hidrogênio em proporções não muito diferentes.

Quando essas fontes de energia são “queimadas” no nosso organismo, ou seja, quando reagem com moléculas de oxigênio, elas se transformam em gás carbônico e água. Por exemplo, assim:
    C6H12O6+6O2 → 6CO2+6H2O   .

Essa transformação de moléculas orgânicas em gás carbônico e água não é direta, como a equação acima pode sugerir. Ao contrário, a parte do metabolismo responsável pelo aproveitamento da energia contida nos nossos alimentos é bastante complexa, envolvendo uma série de reações químicas intermediárias. Mas o resultado final é, sempre e em grande parte, formado por CO2 e H2O.

Se ingerimos meio quilograma de átomos de C, O e H, como átomos não somem, eles devem sair por algum lugar, certo? E na forma de CO2 e H2O. Mas por onde todos esses átomos saem? Bom, a água que temos no corpo, ou porque a ingerimos (líquida, no copo, ou misturada com os alimentos) ou porque ela foi produto de alguma reação química, sai ou pela respiração, ou pelo suor ou você sabe por onde. E o CO2 que produzimos, por onde sai? Grande parte dele, aquela que aproveitamos para produzir energia, sai pela respiração, portanto mais ou menos pelo mesmo caminho que entrou. (O restante sai como fezes, mesmo.)

A cada minuto, eliminamos pela respiração perto de meio grama de CO2. E esse meio grama de gás carbônico contém cerca de 0,15 grama de átomos de carbono. Assim, ao final do dia, teremos eliminado pela respiração quase todo o carbono dos nossos saborosos alimentos.


     Conclusão: o hidrogênio que ingerimos é eliminado, quase totalmente, na forma de água; o oxigênio é eliminado na forma de água ou do gás carbônico que expelimos. E o carbono sai, basicamente, pela respiração. Mas, claro, se você comer mais do que precisa, ou seja, mais do que seu organismo queima, o excesso sairá junto com as fezes e você sabe por onde. Um completo desperdício.

Um comentário:

  1. Gostei muito do texto, mas gostaria de fazer uma ressalva (ainda que eu não saiba se ela é procedente). O texto diz que o carbono que ingerimos é eliminado basicamente pela respiração na forma de CO2. Acho que seria mais correto dizer que a parte APROVEITADA do carbono ingerido pelo corpo é eliminada através da respiração. A outra parte do carbono ingerido é eliminada através das fezes.

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