É bom suar

Por que suamos? Quanto suamos? Nosso organismo está, o tempo todo, produzindo energia que aquece nosso corpo. Quando fazemos atividades físicas pesadas, produzimos muita energia e, para manter nossa temperatura estável, suamos.

Se não fazemos nenhuma atividade física especialmente pesada, consumimos, a cada dia, alguma coisa perto de 2000 a 2500 quilocalorias (kcal) de energia química na forma de alimentos. A maior parte dessa energia, cerca de 70% a 80%, é usada apenas para manter nosso corpo em funcionamento: o coração batendo e o sangue circulando, os rins, o fígado e o cérebro funcionando etc. Apenas cerca de 20% ou 30% daquela energia é usada para exercer trabalhos mecânicos, como andar, subir escadas, levantar coisas etc. O restante é gasto internamente: a cada dia cerca de 1500 kcal a 2000 kcal de energia é produzida e gasta dentro do nosso corpo.
A energia gasta internamente em nosso organismo é transformada em energia térmica, ou calor, aquecendo nosso corpo. Mesmo aquele gasto interno de energia que tem origem em movimentos mecânicos, como o fluir do sangue em nossas veias e artérias acaba, principalmente por causa da viscosidade do sangue, se transformando em energia térmica.
Essa energia produzida internamente é essencial para manter nosso organismo a uma temperatura estável, próxima a 37 oC. Para garantir essa estabilidade, a natureza, pelos processos de seleção natural, desenvolveu uma série de mecanismos de controle de temperatura. Por exemplo, se perdemos mais energia térmica do que estamos produzindo internamente, sentimos frio e nossos músculos tremem para produzir calor, a corrente sanguínea torna-se menos superficial, para perder menos calor pela pele. Se necessário, temos uma reserva de gordura para “queimar” e produzir mais energia internamente, aquecendo o corpo. De outro lado, se perdemos calor a uma taxa menor do que precisamos perder para manter a temperatura constante, a corrente sanguínea superficial aumenta, aquecendo a pele e aumentando a perda de calor por radiação e condução ou começamos a suar. (Além desses mecanismos naturais de regulagem térmica há vários outros; Temos, também, os mecanismos culturais, como os abrigos e as vestimentas, as fogueiras e os aquecedores, os ventiladores e os condicionadores de ar etc.)
Assim, produzimos energia interna para manter nosso corpo aquecido. Mas, para manter o equilíbrio, precisamos nos livrar dela exatamente na mesma proporção que a produzimos, transferindo-a para o ambiente externo ao nosso corpo. Se perdêssemos energia a uma taxa maior do que é produzida, nosso corpo se esfriaria; se perdêssemos energia a uma taxa menor do que produzimos, nosso corpo se aqueceria.
Como transferimos para o ambiente essa energia térmica produzida internamente? Por radiação, por condução e pelo mecanismo de evaporação da água que produzimos ao suar.
Radiação: Tudo – pessoas, animais, nuvens, paredes, chão, roupa, pele, plantas, objetos etc, etc, etc – irradia energia na forma de onda eletromagnética. Assim, estamos o tempo todo irradiando energia para o ambiente e o ambiente irradiando em nossa direção. Se a temperatura da pele é superior à temperatura do ambiente (e não estamos expostos ao sol), então perdemos mais energia do que recebemos por esse processo. E, assim, refrigeramos nosso corpo.
Condução: O ar, se estiver mais frio do que nossa pele ou nossa roupa, irá se aquecer por condução térmica. Esse aquecimento (assim como as correntes de ar) provoca o seu deslocamento, que é substituído por uma porção de ar mais frio, que se aquece por condução e se desloca, sendo substituído por outra porção mais fria etc, em um processo combinado que é freqüentemente chamado de convecção. Podemos perder calor por condução para outras coisas além do ar: para a água, se estamos em uma piscina, ou para uma cadeira, se estamos sentados etc.
Suor: Se esses dois mecanismos de refrigeração não forem suficientes para transferir para o ambiente toda a energia térmica produzida internamente em nosso corpo, estão um terceiro é acionado, o suor. Quando suamos, uma camada de água se forma sobre a nossa pele. Essa água, ao evaporar, transfere energia de nosso corpo para o ambiente, refrigerando-o.
E é bom suar. Quando fazemos atividades físicas, para cada unidade de energia mecânica produzida, nosso corpo produz cerca de quatro unidades de energia química: uma para dar conta do trabalho externo e as outras três servindo para aquecer nosso corpo. Se a atividade física é relativamente pesada e não estamos dentro de uma piscina com água suficientemente fria para refrigerar nosso corpo nem o ambiente está especialmente frio, os mecanismos de radiação e condução (ou convecção) podem não ser suficientes. Então, começamos a suar. Para cada grama de água que evapora da superfície do nosso corpo, 540 calorias são perdidas.
E quanto precisamos suar? Claro que depende da situação. Mas, para ilustrar, vamos fazer uma conta simples. Suponha uma atividade física que provoque a produção interna de 200 calorias por segundo. (Isso corresponde aproximadamente a um jogo de futebol ou basquete ou a uma corrida.) Se essa energia for perdida apenas por evaporação do suor, concluímos que o atleta deve evaporar 200/540 gramas de água por segundo. Em uma hora de atividade ele deve, então, produzir cerca de um litro e meio de suor.

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